Ela é tonta

mais um blog sem sentido. da tonta

Leitura em dia 31 de Outubro de 2009

Filed under: Literatura — tonta @ 15:13

“Naquela noite teve um sonho lindo, com mares e ilhas cobertas de árvores (…). Estava na praia com o pai e ele pediu-lhe para ver se a temperatura da água estava boa. Ela tinha cinco anos e ficou contente por poder ajudar; foi até à beira da água e molhou os pés.

– Molhei os pés, está fria – dissera.

O pai pegou-a ao colo, caminhou com ela até à beira do mar e, sem qualquer aviso, atirou-a para dentro de água. Ela apanhou um susto, mas depois ficou contente com a brincadeira.

– Como é que está a água? – perguntou o pai.

– Está boa – respondeu.

– Então, daqui para a frente, quando quiseres saber alguma coisa, mergulha nela.

Tinha esquecido essa lição com muita rapidez. Apesar de ter apenas vinte e um anos, já se tinha interessado por muitas coisas e desistido delas com a mesma rapidez com que se apaixonara. Não tinha medo das dificuldades – o que a assustava era a obrigação de ter que escolher um caminho.

Escolher um caminho significava abandonar outros. Tinha uma vida inteira para viver e pensava sempre que talvez se arrependesse, no futuro, das coisas que queria fazer agora.

«Tenho medo de me comprometer», pensou consigo mesma. Queria percorrer todos os caminhos possíveis e ia acabar por não percorrer nenhum.

Nem mesmo na coisa mais importante da sua vida, o amor, tinha conseguido ir até ao fim; depois da primeira decepção, nunca mais se entregara por completo. Temia o sofrimento, a perda, a inevitável separação. Claro, estas coisas estavam sempre presentes na estrada do amor – e a única maneira de as evitar era renunciar a percorrer a estrada. Para não sofrer, era preciso também não amar. (…)

Era preciso correr riscos, seguir certos caminhos e abandonar outros. Lembrou-se de Wicca a falar das pessoas que seguem os caminhos apenas para provar que não servem para elas. Mas isso não era o pior. O pior era escolher e ficar o resto da vida a pensar se escolhera bem. Nenhuma pessoa era capaz de escolher sem medo.”

Paulo Coelho – Brida (17ª edição – 2007, p. 105/106)

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